Funcionou onde hoje é o Centro de Apoio a Idosos

Boas recordações do antigo
Hospital da Misericórdia de Portimão

Apesar do escasso número de médicos e de muitas carências em equipamento, esta unidade hospitalar cumpriu as suas funções, numa época de grandes dificuldades

A Santa Casa da Misericórdia de Portimão (SCMP), à semelhança de dezenas de outras congéneres no país, tem um passado de séculos na assistência à população, em vários âmbitos e domínios. Até poucos depois do 25 de Abril, era esta instituição assistencial que geria o hospital local, denominado, então, de Hospital da Misericórdia de Portimão. A transferência da tutela da SCMP do seu novo hospital, inaugurado em 1973, para o Estado, ocorreu aquando da criação do Serviço Nacional de Saúde.

Antes de funcionar nas instalações onde hoje está o Hospital de S. Camilo e a Unidade de Cuidados Continuados Integrados da instituição e antes esteve o Hospital Distrital, o Hospital da Misericórdia esteve instalado onde hoje é o Centro de Apoio da Idosos, contíguo à Igreja do Colégio.
Naquele antigo hospital fizeram-se, de acordo com o testemunho de várias pessoas que viveram essa época, “autênticos milagres”, porque a medicina “não era o que é hoje”, os recursos tecnológicos escasseavam e, por outro lado, o número de médicos era insuficiente.
Desse tempo, saltam à memória os nomes dos médicos Manuel Bentes, um famoso cirurgião ortopedista. Asseguram pessoas que o conheceram, que “a nível da redução de fraturas, era exímio”. No final da sua longa carreira, sofria de problemas de visão, mas mesmo assim “orientava outros colegas em algumas intervenções”, salientaram as nossas fontes.
Um outro médico famoso, António Rocha da Silveira, ginecologista e obstetra, que veio muito novo para Portimão, também ali prestou serviço. Assistiu a largas centenas de partos. Viu nascer pessoas de várias gerações. Ainda hoje, quando se fala em Rocha da Silveira, muitas pessoas dizem ter sido este médico o assistente nos seus nascimentos e citam-no com grande respeito e saudade.
Naquele velhinho hospital, trabalharam ainda os médicos Trindade Mascarenhas (quer serviu muitas vezes de anestesista, quando a anestesia era feita com éter), Barata Correia, Meneres Pimentel e Eugénio Pereira, entre outros. Estes clínicos prestavam cuidados de medicina geral. 
Na mesma unidade hospitalar, ainda trabalhou, quando regressou do Canadá, o cirurgião Brito da Mana. Este é, ainda nos dias de hoje, colaborador da Santa Casa da Misericórdia de Portimão, depois de uma longa e brilhante carreira no Serviço Nacional de Saúde e no setor privado. Emprestando a sua experiência e o seu saber na área cirúrgica, o Dr. Brito da Mana interpreta na perfeição o papel de consultor sénior das unidades de cuidados continuados, mantendo ainda prática clínica no ambulatório do Hospital de São Camilo.
Na área da enfermagem, recordem-se, entre outros, os enfermeiros Diogo, Baião, Bento e Amaral e os auxiliares de enfermagem Marinho, Armando e Libertário, cuja prática, por experiência, os dotou a que, muitas vezes, fossem eles a assumir as funções de enfermeiro. O auxiliar-enfermeiro Marinho ainda hoje é recordado, por ser um boémio, bem-disposto, mas cuja dedicação aos doentes era indiscutível.
Sobre o enfermeiro Diogo, que também era bombeiro e músico na banda dos soldados da paz portimonenses, conta-se que, durante uma parada frente ao antigo quartel, por estar de serviço no hospital, resolveu superar a ausência entre os músicos “tocando o clarim à janela do primeiro andar daquela unidade”, adiantou-nos Germinal Silva, que foi, já no hospital novo da Misericórdia (mais tarde Hospital Distrital e agora Parque de Saúde da SCMP), auxiliar de enfermagem e hoje trabalha para a instituição na área do economato.