Utentes são estudados, seguidos e estimulados por psicóloga

Integração ativa do sénior nos lares da Santa Casa é preocupação constante dos técnicos da instituição

A admissão de utentes nas duas Estruturas Residenciais Para Idosos (lares) da Santa Casa da Misericórdia de Portimão (SCMP) não é propriamente uma situação aligeirada. Lidar com seniores, sobretudo quando estão na contingência de institucionalização, exige da parte dos técnicos cuidados especiais, para que a entrada em lar seja para o utente o menos traumatizante possível e, consequentemente, lhe sejam proporcionadas condições mais fáceis e humanizadas de integração. Nos lares da SCMP “o utente, o seu bem-estar e a sua perfeita integração são a prioridade”.


Nesta perspetiva, a entrada nos Lares D. João II e Rainha Dona Leonor, que aquela instituição de solidariedade social detém na Coca Maravilhas, em Portimão, é precedida por um inquérito social concretizado por assistentes sociais, trâmite que analisa as condições de vivência anterior do candidato, da respetiva família e o seu grau de dependência social, entre outros parâmetros. 
Após esta fase, o utente é alvo de um estudo psicológico e cognitivo, que permite à psicóloga da instituição ficar com indicações sobre o estado de espírito e de conhecimento do internalizado. De acordo com Liliana Duarte, responsável pela área nos dois lares, “o estudo a que procedemos dá-nos uma ideia de como se encontra o sénior, se reagirá positivamente à institucionalização, se é autossuficiente em termos de relacionamento e tem, nomeadamente, capacidade de resposta a situações com que se vai deparar”.
A técnica salientou, no contexto, que a institucionalização do sénior é, na maioria das vezes, “uma situação que lhe escapa e é estranha”. Essa decisão parte, geralmente, dos familiares, que “não terão condições para o manterem em casa, devido ao grau de dependência que evidencia e requer cuidados permanentes”.
Nestes casos, os primeiros tempos de lar são, “para alguns, um drama”, explicou Liliana Duarte. “Ao sénior custa-lhe deixar a sua casa, o seu cantinho, as suas coisinhas e isso quase sempre deixa marcas”, adiantou, salientando, que “é nessa situação de exceção que devemos intervir, num trabalho de grupo e interdisciplinar”.
A nível dos dois lares, o apoio psicológico aos utentes é frequente, diário, “procurando-se, com várias atividades em grupo promover não só a sua estimulação cognitiva como o seu equilíbrio emocional”. Uma das atividades neste âmbito, entre outras de igual importância, concretizada pelas áreas da psicologia e de animação, “é a musicoterapia, com bons e comprovados resultados “, disse Liliana Duarte.
Esta técnica considera ser muito importante “a interação entre utentes e os vários e diferentes técnicos e auxiliares da instituição”. Na sua opinião, “essas atividades de grupo têm o condão de estimular o sénior, proporcionando-lhe uma estadia mais alegre, participativa e útil para si”.