Desempenho positivo na Unidade de Cuidados Continuados Integrados da Santa Casa

Cerca de metade dos doentes recebeu alta
e foi encaminhada para o domicílio

Os números de 2015 referentes ao internamento nas Unidades de Convalescença e Média Duração revelam, por outro lado, uma diminuição “drástica” nos óbitos em relação a anos anteriores

A maioria dos utentes da Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) da Santa Casa da Misericórdia de Portimão (SCMP), 93 por cento, foi encaminhada, no ano transato, a partir do hospital de agudos. Dos restantes, 5,94 por cento foram mandados pelo Centro de Saúde e 1,06 de unidades de convalescença. Segundo explicou João Francisco Amado, responsável pela Área de Saúde daquela instituição de Solidariedade Social, “a preponderância do hospital de agudos no número de diárias contratadas à nossa UCCI, com particular incidência à Unidade de Convalescença, justifica-se plenamente dado às caraterísticas e às atribuições específicas que nos são conferidas no âmbito da reabilitação dos doentes”.
Dos utentes internados, a maior percentagem é do foro neurológico, seguindo-se-lhe a do ortopédico, respiratório, infecioso, outros, pele e tecido subcutâneo e por fim os doentes com demência.
Naquele mesmo ano e de acordo com aquele responsável, “foram contratadas à UCCI da SCMP 15327 diárias de um total das 16447 contratualizadas com a Administração Regional de Saúde do Algarve e Segurança Social”. Estes números, na opinião de João Francisco Amado, “são muito positivos, revelando a eficácia terapêutica e uma boa aceitação do serviço que prestamos”.
A taxa de ocupação de 97 porcento registada, “acima da percentagem de 85, que define a alteração da forma de pagamento das unidades de cuidados continuados” é, para o responsável, uma constatação “que resulta beneficamente para a instituição”, porque, permitindo “uma gestão segura e avisada em termos financeiros” é, por outro lado, “certeza de que os objetivos e desafios a que nos propusemos têm sido superados”. 
Recorde-se que a Unidade de Cuidados Continuados Integrados da Santa Casa da Misericórdia de Portimão foi criada em 2004, uma iniciativa pioneira no Algarve e uma das primeiras no país. Instalada no segundo andar do edifício onde funcionou o antigo Hospital Distrital e hoje está o Hospital S. Camilo, gerido numa parceria entre aquela instituição de solidariedade social e o Hospital Particular do Algarve, a UCCI integra a Unidade de Convalescença, para doentes com internamento de recuperação até 30 dias (com 19 camas) e a Unidade de Média Duração, com internamento até aos 90 dias (26 camas).
Dos utentes internados para recuperação em 2015, 43,98 por cento saíram para o domicílio, 38,43 para a Unidade de Média Duração, 2,31 para lares, para cuidados paliativos 0,93 por cento, unidades de longa duração 2,78 e por agudização, agravamento da sua situação clínica e consequente transferência para hospital diferenciado, 7,41 por cento.
De realçar que o número de óbitos registou 0,46 por cento dos utentes internados, uma baixa significativa em relação aos números de anos anteriores que foram 12, 83 por cento em 2014, 9,50 em 2013 e 14,90 em 2012. Estas flutuações traduzem, principalmente, o maior ou menor acerto das transferências efetuadas para a rede de cuidados continuados. A rede de cuidados continuados existe para recuperar, reabilitar e devolver qualidade de vida aos seus utentes, ultrapassando a visão inicial de que se tratava de um conjunto de espaços para acamados, ou mesmo de serviços para doentes terminais, sem prejuízo de que se continuem a prestar também aqui, até por falta de respostas públicas em número suficiente, cuidados paliativos  de suporte.