Santa Casa fundada entre 1519 e 1543

Uma instituição com cinco séculos de doação ao próximo

Saberão os portimonenses qual é a instituição mais antiga do concelho? Com séculos de existência? Muitos, sem qualquer certeza, dirão, por motivos óbvios e dedução, que será a Santa Casa da Misericórdia. E estão certos, porque, de acordo com documentos manuscritos encontrados nos arquivos da instituição, Torre do Tombo e Academia das Ciências d e Lisboa, entre outras fontes, a constituição da Irmandade e consequente fundação da Santa Casa remonta aos anos entre 1519 e 1543.

A impossibilidade de estabelecer com rigor a data da referida criação, deve-se, segundo a pesquisa de Francisco Carrapiço e Jaime Palhinha, expressa na sua obra “A Misericórdia Velha de Portimão e o seu Hospital”, edição Colibri de 2015, à inexistência de documentos legíveis que o afirmem categoricamente. 
Assim, os investigadores chegaram àquela possibilidade através da leitura de dois manuscritos datados de 1519 e 1543,referentes a testamentos de Gil Simoins Valarinho e de sua mulher Leonor Correa. No documento mais antigo, os testamentários não fizeram qualquer referência à Irmandade e à Misericórdia, o que já aconteceu no documento de 1543. Gil Valarinho deixa ali expresso que na sua morte quer ser sepultado “no meio da sua capela e levado em tumba aberta coberta com a capa da Misericórdia”, pedindo, por outro lado, “aos irmãos da misericórdia que me levem vestido com as roupas dela”.
O mesmo Valarinho deixou ainda consignada, naquele seu testamento, a doação, na sua morte, de seis contos de reis para a obra da instituição.
A história da Santa Casa da Misericórdia de Portimão já tem, portanto, cinco séculos. Surgiu, no máximo, 45 anos após a instituição das Misericórdias pela Rainha D. Leonor em 1498. Ao longo da sua existência, com mais ou menos dificuldades – e as dificuldades, em certas alturas, foram muitas -, tem sabido manter o espírito de assistência, caridade e misericórdia cristã que norteou a sua criação. 
No Algarve e ainda segundo Francisco Carrapiço e Jaime Palhinha, mais antigas que a de Portimão estão, por exemplo, as Misericórdias de Lagos e a de Tavira, umas das mais velhas do país. Sobre a misericórdia de Lagos, há historiadores que referem que a sua constituição ocorreu antes mesmo que a da sua congénere de Lisboa, sendo, no entanto, viáveis outras interpretações das fontes, tendo em conta, nomeadamente, que os acervos documentais nem sempre apresentam as melhores condições de pesquisa, devido à sua má preservação e consequente deterioração pelo tempo, obrigando os investigadores a irem pela dedução lógica das cronologias que se lhe apresentaram e que no caso de Portimão também aconteceu.
Convém destacar que a misericórdia de Lagos assumiu foros de importância em relação às de outras zonas devido ao protagonismo da cidade no século XV e XVI, por ocasião da senda dos Descobrimentos.